Impostos e Tributos

O novo desafio invisível para o fluxo de caixa das empresas

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25/2/26

A reforma tributária aprovada no Brasil introduz transformações relevantes na estrutura de tributação sobre o consumo, especialmente com a criação do IBS e da CBS. No entanto, um dos pontos menos explorados nas análises iniciais é o impacto sistêmico do chamado split payment.

 

Embora apresentado como instrumento de eficiência arrecadatória e redução da inadimplência, o mecanismo altera significativamente a dinâmica financeira das empresas.

 

O que é osplit payment?

O split payment consiste na segregação automática do tributo devido no momento da liquidação da operação. Ao realizar uma venda ou prestação de serviço, o valor correspondente ao imposto é destacado e direcionado diretamente ao ente arrecadador, enquantoo fornecedor recebe apenas o valor líquido.

 

Sob a perspectiva fiscal, o modelo aumenta a segurança da arrecadação. E sob a perspectiva empresarial, altera a gestão do caixa.

 

O impacto estrutural no capital de giro

Historicamente, muitas empresas operam com base no valor bruto das receitas, utilizando o intervalo temporal entre o recebimento e o recolhimento do tributo como parte do ciclo financeiro.

 

Com o split payment, esse intervalo tende a desaparecer. Os principais impactos incluem:

 

Empresas com ciclos financeiros longos ou margens reduzidas podem enfrentar maior pressão.

 

Efeitos indiretos na gestão empresarial

Além da questão financeira, o split payment exige:

 

A reforma não impõe apenas uma mudança tributária, mas uma mudança de governança.

 

O risco de subestimar o impacto

Um dos maiores riscos no atual cenário é tratar o split payment como mera alteração operacional.

 

A ausência de planejamento pode gerar descoberta tardia de insuficiência de caixa, reestruturações emergenciais, impacto na competitividade e pressão sobre margens já comprimidas.

 

Empresas que anteciparem simulações financeiras e revisarem seus modelos de gestão estarão melhores posicionadas para absorver a transição.

 

Conclusão: reforma tributária é também reforma financeira

O split payment representa uma mudança silenciosa, porém estrutural.

 

A reforma tributária não exigirá apenas adequação contábil ou jurídica. Exigirá integração entre áreas fiscal, financeira e estratégica. Mais do que discutir se a carga aumentará ou diminuirá, o ponto central passa a ser: a empresa está preparada para operar sob um modelo de arrecadação que altera o comportamento do seu próprio caixa?

 

Antecipação, planejamento e governança serão os verdadeiros diferenciais no novo ambiente tributário.

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